A ciência fez os católicos deixarem de acreditar no demônio?
Em uma coluna recente, comentei o caso do padre exorcista Stephen Rossetti, que perdeu seu cargo na arquidiocese de Washington, entre outras coisas porque teria associado os supostos avistamentos de objetos voadores não identificados à ação do demônio. Pesquisando um pouco mais sobre o assunto, acabei encontrando um artigo bastante interessante de Neil Tarrant – historiador da Universidade de York, especialista na Itália do século 16, com ênfase na história da ciência e da medicina –, publicado na Zygon, a principal revista acadêmica do mundo sobre ciência e fé. Analisando os escritos de outro exorcista bem mais famoso, Gabriele Amorth, Tarrant questiona que papel a ciência moderna teve na diminuição da fé dos católicos na ação do demônio.
Nas suas memórias, Amorth (que foi exorcista da diocese de Roma e faleceu em 2016) afirma que a crença na existência do diabo como um ser concreto, capaz de fazer o mal às pessoas, recuou bastante entre o clero e os fiéis católicos ao longo dos séculos 19 e 20, a ponto de muitas dioceses terem deixado de nomear um exorcista oficial, e a atividade passar a ser vista como algo exótico, folclórico, um resquício de um passado distante de superstição. Os séculos 19 e 20, como sabemos, também foram uma época de enormes avanços científicos. Uma coisa tem relação com a outra? Mais ou menos, responde Tarrant, com base no que encontrou nas publicações de Amorth, combinadas com sua própria pesquisa sobre o tema.
A briga de Gabriele Amorth........
