Os riscos do acordo Mercosul-União Europeia: Bruxelas vai mandar no agro brasileiro?
Você já deve estar torcendo o nariz para o título deste artigo, pois, afinal, em quase toda a imprensa lemos apenas elogios e perspectivas sedutoras para o Brasil. Mas preste atenção em algo que quase ninguém está comentando.
A União Europeia se tornou uma gigantesca máquina burocrática, com uma tradição regulatória muito mais pesada e sofisticada. Suas normas ambientais, sanitárias, climáticas, trabalhistas e de sustentabilidade muitas vezes deixam de ser apenas regras internas e passam a funcionar como padrões globais.
O que estou defendendo não é rejeitar o mercado europeu. É impedir que o mercado europeu vire o regulador universal do agro brasileiro.
Isso é o chamado “efeito Bruxelas”: a União Europeia regula seu próprio mercado, mas, pelo tamanho e pela importância desse mercado, acaba exportando sua regulação para o resto do mundo.
Ela se tornou o exemplo mais sofisticado desse modelo: cria regras comuns para todos os países do bloco, harmoniza padrões, define listas, autorizações, limites, métodos e exigências.
Na verdade, ela usa a regulação para projetar poder. E, para o Brasil, esse ponto é decisivo.
Não se trata de rejeitar qualidade, rastreabilidade, sanidade ou sustentabilidade. O agro brasileiro precisa e sabe cumprir padrões elevados.
O problema é........
