IA renovando receitas médicas: avanço útil ou atalho perigoso?
Tecnologia para aliviar a sobrecarga sem rasgar prerrogativas médicas, sim. “Diagnóstico por algoritmo” e improviso regulatório, não. Nos Estados Unidos, o estado de Utah iniciou um projeto-piloto que vem chamando atenção da comunidade médica mundial: uma ferramenta de inteligência artificial passou a fazer a renovação de receitas médicas de uso contínuo, diretamente nas farmácias. Trata-se do primeiro programa desse tipo autorizado por um governo estadual, dentro de um sandbox regulatório cuidadosamente delimitado.
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Desde já, é preciso desfazer a “manchete fácil”. A IA não diagnostica, não inicia tratamentos e não prescreve novos medicamentos. Ela apenas renova receitas previamente indicadas, dentro de critérios rígidos, para pacientes considerados estáveis, sob regras previamente estabelecidas e com auditoria posterior. O objetivo declarado é simples e legítimo: reduzir filas, desafogar agendas médicas e devolver ao médico o tempo que hoje é consumido por tarefas meramente burocráticas.
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Sem roleta-russa: 10 pilares para reduzir litígios na cirurgia plástica Quando o plantão médico vira reality show Quando a violência vence a medicinaO projeto é conduzido pela empresa Doctronic, sob supervisão direta do Departamento de Comércio de Utah. Há consentimento expresso do paciente, registro integral das decisões, revisão humana posterior e, sobretudo, vedações claras: estão........
