Mirem-se no exemplo da Enel
O fetiche que muitos, com a mentalidade do século passado, ainda nutrem em relação à privatização, se desfaz no ar com o novo caos inaugurado em São Paulo: 2,2 milhões de residências e estabelecimentos da Região Metropolitana – atingindo 8,5 milhões de pessoas – ficaram sem energia elétrica e, sete dias depois do ciclone extratropical varrer o coração financeiro do país, ainda há consumidores às escuras.
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A crise é tão grave – e a reincidência da concessionária de energia elétrica Enel, que também em 2023 e em 2024 registrou apagões de até uma semana para alguns clientes – que promoveu o imponderável. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o presidente Lula (PT) estão em acordo e irão acionar juntos a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que seja iniciado o traumático processo de caducidade da concessão da Enel. Se é para dividir danos políticos, nada como a velha política. Os gritos, imprecações e discursos antissistêmicos ficam reservados aos tempos de bonança.
A menos de um ano das eleições – Tarcísio de Freitas adora surrar o martelo nos leilões de concessões, comemorando quando quebra algum símbolo da B3 –, a Enel virou a Geni. Pedra nela. Não que a concessionária mereça ser poupada de tanto descaso e desinvestimento para aumentar lucros. Mas, em todo esse processo, a ironia do destino expressa na política: entre as equipes de outras distribuidoras de energia convocadas pela Aneel e pelo Ministério de Minas e Energia para socorrer São Paulo, estão os valorosos servidores da estatal Cemig.
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