País em guerra à procura paz
Ainda que em tempos de guerra, em Portugal não há tanques nas ruas nem sirenes de ataque aéreo. Mas, ainda assim, todos os anos, morrem centenas de pessoas numa guerra silenciosa que se trava todos os dias, quilómetro após quilómetro, nas nossas estradas.
Uma guerra que não aparece nos noticiários internacionais e que a Operação Páscoa de 2026 voltou a expor de forma crua. Não se trata de acidentes isolados, mas de uma espécie de guerra civil não declarada: portugueses contra portugueses, vítimas da pressa, do álcool, do erro humano e, muitas vezes, de uma indiferença que já não nos envergonha.
Em poucos dias de fiscalização intensiva, PSP e GNR registaram 18 mortos em mais de dois mil acidentes. Um número que, se fosse provocado por qualquer outro tipo de violência coletiva, paralisaria o país de choque. Nas estradas, porém, tende a ser rapidamente esquecido. Ignorar estes dados é, no fundo, normalizar a tragédia.
Um retrato que insistimos em não encarar. Os números da Páscoa de 2026 falam por si: mais de 2.000 acidentes, 42 feridos graves e 668 feridos ligeiros. Só a GNR........
