As relações entre os Estados Unidos e a Europa - evitar “choques” incompreensíveis
No ano em que ocorre o 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos a turbulência nas relações transatlânticas, marcada pela percepção de afastamento da administração americana em relação à Europa, é manifesta. Para alguém, como nós, que tem tido oportunidade de leccionar em algumas das suas excelsas instituições universitárias ao longo das últimas três décadas, é perceptível que o estado de espírito do outro lado do Atlântico não é o mais positivo. Terá a América perdido o seu optimismo histórico? Neste quadro sombrio, coloca-se mesmo o problema do futuro da NATO, sendo difícil afastar a impressão de alguma frustração da sociedade civil europeia. Mas também o próprio significado da noção de Ocidente parece ser questionado. Como situar esta involução para lá da personalidade dos protagonistas coevos?
Vejamos: a Europa e os Estados Unidos vêem o mundo com lentes diferentes e nem sempre compartilharam visões convergentes em relação a múltiplos aspectos da política internacional. Não obstante, conviria relembrar que foi a emergência da liderança dos EUA no seio do sistema transatlântico que consolidou a imagem de um conjunto aliado fundamentalmente robusto, a que acresce o seu carácter voluntário, constituindo a NATO o pilar primordial no capítulo específico da defesa. Podemos, em consequência falar de uma significativa unidade geopolítica e estratégica. A sua credibilidade foi reforçada pelos atributos que caracterizam uma comunidade de segurança:
identidade colectiva compartilhada;
existência de instituições democráticas de diálogo e de compromisso mútuo capazes de a sustentar;
interdependência económica significativa.
Parece crível que as incongruências da administração de George W. Bush a seguir aos ataques de 11 de Setembro de 2001 em relação aos quais,........
