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Guia de Trás-os-Montes: Descubra os 12 concelhos de Bragança

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13.07.2026

Guia de Trás-os-Montes: Descubra os 12 concelhos de Bragança

O apelo da terra firme: por que razão o seu coração precisa de Trás-os-Montes

Dizem os antigos que há terras que se visitam com os olhos, mas Trás-os-Montes vive-se com a alma. Num mundo sitiado pela pressa, onde os dias fenecem no ecrã de um telemóvel e o silêncio se tornou um luxo esquecido, o Nordeste ergue-se como um reduto de verdade. É um território esculpido no sulco da terra firme, regado com o suor do labor quotidiano nos campos agrestes e iluminado pelo sol que irrompe, invicto e alegre, todas as manhãs.

Ir a Trás-os-Montes não é cruzar uma linha no mapa; é iniciar uma viagem mística de regresso às origens através dos seus 12 baluartes de história, natureza e sabor.

Torre de Dona Chama: o meu berço e o portal de granito da nossa história milenar

A nossa jornada rompe a névoa do tempo num lugar onde a memória tem a dignidade e o peso da pedra. É aqui, na minha terra natal de Torre de Dona Chama — antiga e nobre sede de concelho —, que a história de Portugal não se lê nas páginas de um livro: pisa-se com reverência. Diante de nós deparamo-nos com a imponente Ponte da Pedra, um Monumento Nacional que desafia os séculos. Ao percorrermos os seus seis majestosos arcos de volta perfeita sobre o rio Tuela, cruzamos a antiga Via XVII do Império Romano. Os sulcos profundos gravados no granito são as cicatrizes vivas das carruagens que ali vertem memórias há dois milénios.

Caminhando até ao coração da vila, no Largo do Pelourinho, confrontamo-nos com o enigmático Berrão: uma imponente escultura zoomórfica em granito que, lado a lado com o pelourinho manuelino, guarda o segredo do culto da fertilidade e da proteção do gado desde a Idade do Ferro.

Subindo ao altaneiro Castro de São Brás, o horizonte abre-se e a vertigem da paisagem apodera-se de nós. Este povoado fortificado, erguido na Idade do Bronze, guarda no seu ventre as fundações das primeiras gentes que domaram estes vales e nos legaram um sangue indomável. É um autêntico livro aberto sobre o passado: nas suas imponentes muralhas defensivas adivinham-se os perímetros de proteção ancestrais; nas rochas, descobrimos uma sepultura antropomórfica e vários túmulos romanos que atestam a sacralidade do lugar ao longo das eras. Quem caminha por este solo a céu aberto tropeça na própria história, descobrindo fragmentos de cerâmica fina de luxo em terra sigillata, antigos pesos de tear em terracota que contam rotinas milenares e vestígios de fornos de fundição que moldavam o metal. Daqui, destas entranhas arqueológicas, foram já resgatados tesouros outrora perdidos, como moedas de circulação imperial e machados de bronze de dupla face.

Mas a alma de Torre de Dona Chama pulsa para lá das pedras seculares; ela incendeia-se na carne e no misticismo. Nas Festas de Inverno, o seu riquíssimo Património Cultural Imaterial rasga a pacatez dos dias com a Festa dos Caretos, dos Rapazes e de Santo Estêvão de Torre de Dona Chama. Envoltas em trajes enigmáticos e rituais que desafiam o tempo, as gentes unem-se na sagrada Queima do Castelo, uma celebração telúrica e unificadora onde o fogo purifica a memória e mantém viva a chama eterna da identidade transmontana que daqui me guia para o resto do distrito.

Os 12 altares do Nordeste: um roteiro de herança e esplendor

• Alfândega da Fé: Onde a imponência da Serra de Bornes serve de muralha a um património religioso singular, coroado pelo Santuário de Cerejais, um farol de fé que vigia os vales repletos de pomares e oliveiras. A sul, o........

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