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Entre não dar ouvidos à ignorância e abraçar a diversidade

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23.01.2026

Não sei se é possível determinar a origem de uma expressão artística concreta como se fosse um organismo endémico, mas, tendo em conta as conversas que tenho tido com vários músicos, investigadores, construtores de instrumentos e melómanos em geral, a minha convicção é a de que, na arte, como em tudo o resto, as fronteiras são criações administrativas que as pessoas erguem. Será que um cão que vive algures na aldeia de Rio de Onor, em Bragança, sabe que tem uma nacionalidade diferente dum outro cão, que, a escassos dois metros dele, vive em Rihonor de Castilla, em Espanha? O exemplo é caricatural mas leva-me a acreditar que não.

Defendo que as expressões, artísticas ou de outra ordem, ainda que sejam profundamente identitárias e possam retratar a pertença dum povo, nascem da pulsão natural de criar e de partilhar. Depois, nós, humanos, somos gregários e inventamos tribalismos.

No entanto, só porque eu componho algumas músicas, com determinadas características, isso faz dela portuguesa? E de que forma é que um qualquer outro português se identifica com a música que componho, mesmo que não goste dela?

Deste modo, o que é que é música portuguesa? E, de forma mais........

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