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“Uma maçã especial”

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13.07.2026

No mês passado fui buscar o meu carro novo. Que bonito. Azul-escuro, de edição preta, jantes aerodinâmicas e teto panorâmico. Ainda cheira a novo. Tecnologia de ponta, ecrã tátil que nem sempre funciona direito, mas que, até à data, tem chegado para as ocasiões. Tinha um pequeno pormenor. Fazia um barulho estridente na zona dianteira. Sempre que passava sobre pisos em paralelo, ouvia-se um sino tocar. Depois de meia dúzia de viagens, regressei desanimado ao concessionário. Perguntei aos simpáticos vendedores se aquele ruído era normal. Sorriram-me com a serenidade de quem já respondeu à mesma pergunta umas cinquenta vezes naquela semana. Sim, é normal! É uma característica deste modelo! Uma característica? Sim, é uma característica. Pensativo, respondi: antigamente chamava-se defeito. Uma característica vem documentada e eu pago por ela! Nunca me foi apresentada tal característica. Fiquei a olhar para o carro e, sem perceber muito bem porquê, lembrei-me da primeira vez que fui ludibriado. Tinha quatro anos e andava no colégio de Nossa Senhora da Graças, um colégio de bons costumes, padres e freiras que ainda recordo com saudade.........

© Correio do Minho