menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Quando a violência política contra as mulheres adoece a democracia

16 0
03.07.2026

Maria Fátima Sousa — professora titular do Departamento de Saúde Coletiva da UnB e ex-superintendente do Hospital Universitário da Universidade de Brasília (HUB) 

Siga o canal do Correio Braziliense no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular.

A violência contra a mulher não se manifesta apenas nos lares, nas ruas ou nas estatísticas do feminicídio; também se instala em gabinetes, plenários, universidades, conselhos, repartições públicas, sindicatos, partidos políticos e em todos os espaços onde mulheres ousam exercer liderança, inteligência, autonomia e poder. Trata-se de uma enfermidade social crônica, estrutural e multifatorial, que compromete a saúde da democracia e corrói os fundamentos éticos da vida coletiva.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Na política e em outros espaços instituídos, essa violência assume formas silenciosas e destrutivas, revelando-se na tentativa de desqualificar a competência feminina, no ataque à aparência física, na interrupção da fala, na subestimação da capacidade de compreensão, no isolamento, na exclusão dos processos decisórios, na desconfiança sobre a liderança das mulheres e nas campanhas de difamação que buscam destruir reputações construídas ao longo de décadas.

A mulher que ocupa espaços de poder frequentemente passa a ser tratada como um "corpo estranho"........

© Correio Braziliense