Nós, população negra, não aceitaremos ser a sobra da democracia
Mônica Costa — presidenta da Nova Frente Negra Brasileira
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A articulação de partidos do governo e da oposição para excluir as campanhas à Presidência, aos governos estaduais e ao Senado do cálculo das cotas destinadas a mulheres e pessoas negras não é um ajuste técnico. Na realidade, não passa de tentativa de reduzir uma conquista democrática e preservar recursos nas mãos de quem historicamente controla o poder.
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O argumento é que as campanhas majoritárias consomem muitos recursos e dificultam o cumprimento dos percentuais afirmativos. Mas a lógica revela o problema: como as candidaturas mais caras continuam ocupadas sobretudo por homens, as direções partidárias querem retirar essas despesas da conta em vez de democratizar suas escolhas e investir em candidaturas negras e femininas.
Excluir essas campanhas significa calcular as cotas sobre uma base menor. Os 30% poderiam continuar aparecendo formalmente, enquanto o volume protegido para candidaturas negras seria reduzido. Não se trata de organizar melhor as contas,........
