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Faltam quatro meses para as eleições. E aí?

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Daniel A. de Azevedo — professor de geografia política do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB)  

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É tentador imaginar que a disputa política será definida apenas por indicadores econômicos, alianças partidárias, tempo de televisão, desempenho nas redes sociais ou capacidade de articulação nos estados. Tudo isso importa. Mas, talvez, exista uma camada mais profunda e decisiva: a disputa entre tribos políticas. A palavra "tribo" pode parecer inadequada para descrever sociedades modernas, urbanas, conectadas e formalmente orientadas pela razão. No entanto, é justamente aí que reside o paradoxo. Desde o final do século 19, diferentes pensadores chamaram atenção para os efeitos da modernidade sobre a vida humana: um momento histórico em que a ciência, a razão e o cálculo teriam ocupado um lugar superior ao que antes era explicado pela tradição, religião e experiência coletiva.

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Nietzsche, ao afirmar que "Deus está morto", não comemorava simplesmente o fim da religião. Sua frase, muitas vezes mal-interpretada, expressava uma preocupação com as consequências sociais e existenciais da perda de referências comuns. Se os grandes sistemas de sentido deixam de organizar a vida coletiva, o que ocupa esse lugar? Max Weber, provavelmente um dos maiores sociólogos da história, descreveu o avanço da racionalização moderna como um........

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