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Venezuela como teste: Colômbia, Groenlândia, Cuba e Canadá na mira

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06.01.2026

Há menos de uma semana, o planeta parecia um reality show de má reputação: governos entrando e saindo do paredão geopolítico sem punição, discursos inflamados substituindo responsabilidade e a impunidade vestida de normalidade. Nestes primeiros dias de janeiro, porém, o espetáculo degringolou.

Já não é reality. É um videoclipe mal editado, com iluminação precária, áudio estourado e um roteiro que se desobedece a cada cena. Só que agora não há metáfora que alivie o fato central: houve uma ruptura grave, explícita e perigosa do direito internacional.

O sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro foi apresentado por alguns como uma operação de audácia técnica. Rápida, cirúrgica, quase asséptica. Essa narrativa durou horas. Primeiro, nenhuma morte confirmada. Depois, 32. Em seguida, 40. Logo, mais de 80. Os números cresceram enquanto Washington hesitava. A vice-presidente da Venezuela exigiu prova de vida. Ela não veio de imediato.

Quando Donald Trump publicou a fotografia do presidente capturado, a imagem levantou suspeitas técnicas e simbólicas. O navio escolhido como palco do feito chamava-se Iwo Jima — um nome carregado de memória visual fabricada.

A famosa fotografia da bandeira americana em Iwo Jima, durante a Segunda Guerra, foi uma reencenação deliberada. Soldados reposicionaram a bandeira para atender fotógrafos e produzir um ícone........

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