O que eles esperam em 2026 — Krugman, Friedman, Žižek e Sachs
Não é comum que economistas, filósofos e analistas geopolíticos tão distintos convirjam no diagnóstico de um mesmo horizonte histórico. Mas é exatamente isso que ocorre quando se lê, em sequência, as reflexões recentes de Paul Krugman, Thomas L. Friedman, Slavoj Žižek e Jeffrey Sachs. Vindos de tradições intelectuais diversas, publicados em plataformas igualmente diferentes — de newsletters autorais a fóruns globais de opinião —, eles desenham, cada um à sua maneira, um mesmo ponto de chegada: 2026 não será apenas mais um ano do calendário, mas um marco de exaustão política, econômica e moral.
O que se esgota não é apenas um ciclo econômico ou um mandato presidencial. O que entra em colapso silencioso é a crença de que o mundo ainda opera sob ajustes automáticos, correções graduais e consensos minimamente estáveis. As previsões para 2026, lidas em conjunto, formam um retrato inquietante: instituições cansadas, sociedades polarizadas, guerras prolongadas, tecnologia acelerada e uma perigosa normalização do improviso.
Paul Krugman, agora escrevendo com mais liberdade fora do New York Times, tem sido talvez o mais contido — e, por isso mesmo, o mais revelador. Em seus textos recentes, ele evita o alarmismo fácil. Não fala em colapso iminente nem em crise financeira clássica. Sua previsão para 2026 é mais sutil e mais corrosiva: uma erosão progressiva da confiança pública, especialmente nos Estados Unidos. Para Krugman, o problema central não será a inflação em si, nem o crescimento do PIB, mas a sensação difusa de que os números “não conversam” com a vida........
