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Fiscalizar ou pressionar? O passo além do TCU

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07.01.2026

O Tribunal de Contas da União decidiu atravessar uma linha que não lhe pertence. Ao avançar sobre documentos sigilosos do Banco Central no caso Banco Master, o TCU não exerce controle: ensaia poder. Não se trata de fiscalização responsável nem de zelo com o interesse público, mas de uma iniciativa que desloca o centro do escândalo, tensiona a autonomia da autoridade monetária e cria um precedente institucional perigoso. Quando um órgão de controle passa a tratar quem fiscaliza o sistema financeiro como suspeito, algo se rompe no pacto republicano.

Não se trata de zelo institucional. Trata-se de uma investida fora de propósito, descabida e institucionalmente perigosa.

O Banco Central não é um órgão subordinado ao TCU. Não é uma autarquia qualquer, nem um departamento administrativo sujeito a revisão discricionária. É a autoridade monetária do país, dotada de autonomia formal, técnica e decisória, condição indispensável para a estabilidade do sistema financeiro nacional.

Cabe a ela supervisionar, intervir e liquidar instituições financeiras. Essa competência não é compartilhada, tampouco revisável por tribunais administrativos. Quando o TCU avança sobre esse território, não está apenas solicitando documentos: está tensionando o desenho institucional do Estado brasileiro.

A pergunta que precisa ser feita com clareza é simples e incômoda: a quem interessa colocar o Banco Central sob suspeição? Quem ganha quando a........

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