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Fim de uma era: Pequim corta financiamento indireto ao déficit americano

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09.01.2026

Durante décadas, a águia americana voou alto, alimentada pelo crédito do mundo, enquanto o dragão chinês crescia em silêncio, acumulando força no chão. Agora, a águia sente o peso das próprias asas, carregadas de dívida, e o dragão, sem atacar, recolhe o alimento que oferecia. Não há choque no ar, apenas a mudança do equilíbrio entre voo e terra, poder e paciência, que redefine silenciosamente o jogo global atual.

Não se trata de imagem poética deslocada da realidade, tampouco de alegoria gratuita. O que os números mostram, de forma objetiva, é que a relação financeira entre China e Estados Unidos entrou em uma fase distinta. A redução contínua da exposição chinesa à dívida pública americana não é episódica nem ideológica.

Trata-se de uma decisão técnica, repetida mês após mês, que já se tornou estrutural e carrega implicações diretas para o funcionamento do sistema monetário internacional.

Em 2013, no auge do ciclo de expansão do comércio global, Pequim mantinha cerca de 1,32 trilhão de dólares em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Era o maior credor externo de Washington, posição conquistada ao longo de anos de superávits comerciais e reciclagem sistemática de dólares. Uma década depois, esse estoque caiu para a faixa de 760 a 800 bilhões de dólares, segundo dados oficiais. A redução acumulada ultrapassa meio trilhão de dólares — uma mudança de escala que não pode ser tratada como ajuste marginal.

Para compreender o alcance desse movimento, é necessário voltar à arquitetura monetária construída no pós-guerra. A centralidade do dólar, consolidada a partir de 1944, sobreviveu ao fim do padrão-ouro porque oferecia liquidez,........

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