O verdes abutres da colina
Publicado na década de 1970, Os verdes abutres da colina é um romance do escritor cearense José Alcides Pinto, marcado por forte densidade simbólica e crítica social. Ambientada no sertão, a obra se passa na aldeia fictícia de Alto dos Angicos, um território assolado pela miséria, pela violência cotidiana e por uma ordem social rigidamente autoritária.
No centro dessa estrutura está o coronel Antônio José Nunes, senhor absoluto das terras e das vidas, cuja autoridade não se sustenta apenas pela força física, mas por um sistema de medo, superstição, religião instrumentalizada e resignação coletiva. A violência contra mulheres, a naturalização da morte e a exploração extrema compõem o pano de fundo de uma comunidade em que o abuso não é exceção, mas regra.
Ao redor dessa engrenagem de poder, circulam figuras que não governam diretamente, mas observam. Entre elas, os verdes abutres da colina, aves que sobrevoam a aldeia como metáfora permanente da decomposição social. Eles não produzem a tragédia, não iniciam o massacre, não comandam o sistema. Apenas esperam. São pacientes, atentos, sempre prontos a se alimentar do colapso quando ele finalmente ocorre.
Na política brasileira, os verdes abutres são aquelas forças que vivem à espreita de qualquer oportunidade para atacar o governo que salvou o país do fascismo. Não importa sob que aparência se apresentem. Podem assumir a forma de analistas carismáticos, lideranças de tom messiânico ou operadores profissionais de indignações instantâneas, sempre prontos a lançar uma hashtag oportunista e a converter qualquer gesto em escândalo moral. Não são,........
