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O verão moral do Brasil

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31.12.2025

Raquel de Queiroz diria que às vésperas do ano mais decisivo da política brasileira recente o céu do país ficou transparente de "doer, vibrar, tremer, feito uma gaze repuxada". Mas tem algo nesse clima que não diz respeito apenas à temperatura. A sensação é familiar, como se estivéssemos de novo em 2015, naquele Brasil onde o suor grudava na pele ao mesmo tempo em que a histeria moral se instalava na esfera pública. O ambiente físico e o ambiente político parecem reverberar um ao outro: abafados e tensos.

Aquela experiência reorganizou  o espaço público. A operação deixou de ser um procedimento técnico e passou a operar como linguagem moral. Quem fosse enquadrado nesse enredo era imediatamente desumanizado, convertido em personagem alegórico do mal brasileiro. O processo penal deixou de ser mediação e tornou-se instrumento direto de punição simbólica. A imprensa serviu como correia de transmissão dessa gramática e a opinião pública foi educada para confundir justiça com espetáculo.

É esse mesmo dispositivo que volta a se apresentar agora. A diferença é que o roteiro já está conhecido e, mesmo assim, volta a ser consumido como novidade. O caso Master e o ataque dirigido a Alexandre de Moraes reaparecem revestidos da mesma retórica de purificação, do mesmo clima de suspeita permanente, da mesma ansiedade coletiva por culpados prontos. A comoção é produzida antes do fato e a condenação........

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