Quando a democracia resolve brigar consigo mesma
Quando Alexis de Tocqueville foi estudar a democracia americana no século XIX, ele não estava encantado com o experimento. Estava desconfiado. A Revolução Francesa tinha começado prometendo liberdade e terminou em terror. A pergunta dele era simples: como evitar que a democracia use as próprias regras para se sabotar?
Dois séculos depois, a pergunta continua atual — e barulhenta.
Tocqueville percebeu algo que até hoje incomoda: democracia não é sinônimo automático de liberdade. Ela pode proteger direitos, mas também pode esmagá-los. O perigo não é só um ditador clássico com tanques na rua. Às vezes, o risco nasce no voto, cresce na maioria e se apresenta como vontade popular.
Ele chamou isso de “tirania da maioria”. É quando a maioria deixa de ser um critério numérico e passa a se achar dona da verdade. Quem........
