menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Erro de cálculo?

25 0
06.03.2026

Os colunistas de jornal, revista e internet costumam se queixar de falta de assunto ou da dificuldade de dizer coisas novas sobre temas candentes. Dostoiévski e Nelson Rodrigues, dois dos maiores colunistas de todos os tempos, volta e meia reclamavam disso. Dostoiévski, em especial, expressou, com humor e verve, a banalidade do que se publicava e o enorme esforço requerido para dizer o que ele chamava de “uma palavra nova”. E transformava isso mesmo em tema de crônicas e colunas.

Com a eclosão da guerra criminosa contra o Irã, movida pela superpotência delinquente, os Estados Unidos, e pelo Estado genocida de Israel, não sofremos de falta de assunto, ao contrário. May you live in interesting times (que você viva em tempos interessantes), antiga maldição que continua verdadeira (ainda que desgastada por excesso de uso). Persiste, entretanto, a dificuldade de acrescentar algo original. Se o gênio russo enfrentava esse drama, imagine o que acontece com colunistas modestos como eu.

Mas vamos lá. Começo com as crianças, lembrando o bombardeio estarrecedor de uma escola de meninas no Irã, que matou mais de 160 pessoas. Do sofrimento das crianças, escreveu Dostoievsky, pode-se derivar o absurdo de toda a realidade histórica. Apesar de tudo, ele acreditava em Deus. No meu livro mais recente, Estilhaços, fui mais longe, dizendo que “o sofrimento das crianças não só desmente a existência de Deus, como prova a do Diabo".

Nos dias de hoje, o Diabo toma a forma de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. O tempo dirá, mas parece que a dupla diabólica cometeu um gigantesco erro de cálculo. Ou seria melhor inverter a ordem e escrever Netanyahu e Trump? Já que no comando dessa agressão estão Israel e o poderoso lobby sionista em Washington e Nova York, como revelou, de maneira simplória, o ministro das Relações Exteriores dos EUA, Marco Rubio. Veja, leitor ou leitora, o que disse esse mentecapto para justificar a agressão ao Irã. “Havia uma ameaça iminente aos EUA”, sustentou. “Sabíamos que, se o Irã fosse atacado por Israel, eles imediatamente nos atacariam". Segundo ele, o governo Trump agiu “proativamente” e “de forma defensiva”, ao agredir o Irã. Parece claro que Israel é quem dá as cartas, definindo o momento do ataque.

Talvez eu esteja exagerando um pouco. Os Estados Unidos têm seus próprios objetivos de dominação no Oriente Médio. Seja como for, uma coisa ficou evidente: o Irã é um........

© Brasil 247