A nudez em dois mundos
Recentemente inventamos uma viagem com o intuito de paulistanear, um jeito gostoso de lidar com nosso provinciano território catarinense e vê-lo chocar-se com a imensidão civilizacional da esquina do mundo.
Fomos a dois espaços culturais em São Paulo, que nos deram uma oportunidade fantástica de tematizar o desencontro entre a classe média liberal e o mundo das classes populares.
Ato I - De primeiro, chamou atenção de pronto a decisão do Museu de Arte de São Paulo em defender a gratuidade como um direito ao acesso à cultura. Detalhe, no horário das 18:00 às 21:00, em uma sexta-feira. Ou seja, depois do trabalho e antes do rolê.
Em segundo, o lugar da inclusão cultural na exposição intitulada “Acervo em Transformação”. Para além de cultivar a arte ocidental, mormente, Europeia, a exposição começa por um encontro dos visitantes com a produção artística da América Latina, frutos de exposições recentes na instituição, e só no final você encontra os clássicos do impressionismo aos renascentistas.
Entretanto, para além de nos deparar com um enxame de rostos populares e seus modos de incorporar a arte, um Renoir tornou-se instagramável, assim como um Sandro Botticelli, encontramos um Manifesto feminista com o seguinte título: As mulheres precisam estar nuas para entrar no Museu de Arte de São Paulo?
Para além da legitimidade do tema, chama atenção o modo como ele foi expresso. É como se nos dissesse, “É preciso ser puta para entrar no MASP?” Ou seja, a reivindicação estava embrulhada em uma moralidade tipicamente burguesa, puritana, característica do feminismo liberal, que, de certo modo, tem dificuldade de lidar com a nudez, igualmente também revela o desencontro e o confronto dos........
