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Venezuela, o petrodólar e a verdadeira guerra que nunca foi sobre democracia

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06.01.2026

Há narrativas que se repetem com tanta frequência que acabam sendo naturalizadas. Sempre que os Estados Unidos decidem intervir em outro país, o roteiro é conhecido: combate ao narcotráfico, defesa da democracia, luta contra o terrorismo ou enfrentamento de um “regime autoritário”. A retórica é polida, moralizante e cuidadosamente embalada para consumo global. Mas, quando se observa a história com um mínimo de atenção, percebe-se que o enredo real costuma ser outro — muito mais cru, material e estratégico. No caso da Venezuela, ele atende por um nome pouco mencionado nos discursos oficiais: petrodólar. Uma publicação em um perfil no X, sediado na Alemanha, chamou a atenção para isso.

A tese de que a ofensiva contra a Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro não têm como objetivo central a democracia ou o combate à corrupção ganha força quando inserida em um contexto histórico mais amplo. Como claramente explicado no livro de memórias de Henry Kissinger, Years of Renewal, em 1974, no auge da crise do petróleo, o ex-presidente norte-americano costurou um acordo silencioso, porém decisivo, com a Arábia Saudita: todo o petróleo comercializado internacionalmente seria cotado em dólares americanos. Em troca, os Estados Unidos garantiriam proteção........

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