Data centers e o risco da falta d’água
Os data centers deixaram de ser uma abstração tecnológica para se tornarem uma presença física, concreta e cada vez mais dominante no Brasil. São megaestruturas que sustentam a internet, a nuvem, a inteligência artificial e os serviços digitais. O problema é que, por trás da promessa de inovação e modernidade, esconde-se um custo ambiental altíssimo e pouco debatido: o consumo massivo de água.
Hoje, o Brasil conta com 195 data centers em operação, quase um terço deles concentrado no estado de São Paulo. O dado, por si só, deveria acender um alerta. Mas o cenário se torna ainda mais preocupante quando se observa o contexto em que essas estruturas se expandem: vivemos uma crise hídrica grave, com reservatórios nos níveis mais baixos dos últimos dez anos.
Estamos à beira do precipício, e a Sabesp e o governo Tarcísio de Freitas, que deveriam agir com planejamento, transparência e responsabilidade, têm feito pouco ou quase nada. Enquanto cruzam os braços, a população sente os efeitos da escassez no dia a dia. Desde agosto do ano passado, a Sabesp reduz a pressão da água todos os dias, entre 19h e 5h, como estratégia para conter o consumo e minimizar perdas por vazamento.
É a solução mais barata para a companhia, agora privatizada. De quebra, evita grandes obras de manutenção e a substituição de tubulações........
