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2026 e o colapso da ordem ocidental

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03.01.2026

Não há dúvida de que 2025 foi um ano bastante difícil, de rápido colapso da antiga ordem mundial “baseada em regras”, criada pelos EUA.

O segundo governo Trump se encarregou de destruí-la, colocando no lugar uma geoestratégia baseada no uso desabrido e cru da força. Força financeira e comercial, força geopolítica, força militar e força comunicacional, a força das Big Techs dos EUA.

A nova estratégia dos EUA, concebida, entre outros, pelos autores do Projeto 2025 da Heritage Foundation, por Elbridge A. Colby (neto do diretor da CIA da era Nixon, William E. Colby, e amigo de J.D. Vance desde 2015), por Dan Caldwell, por Marco Rubio etc. colocou nossa região, com o “corolário Trump da Doutrina Monroe”, no centro da grande disputa geopolítica mundial, tornando-a uma espécie fortaleza geográfica do Império.

Por isso, começamos 2026 com a grave ameaça de uma intervenção militar dos EUA na Venezuela. Provavelmente não uma invasão terrestre tout court, mas sim intervenções aéreas pontuais contra objetivos estratégicos, com a finalidade evidente de derrubar o regime de Maduro. De qualquer forma, um desastre para toda a região e para o protagonismo do Brasil.

Contudo, 2026 começa também com vários outros conflitos perigosos para todo o planeta.

O conflito no Oriente Médio (ou no Oeste da Ásia, como preferem alguns) continua e pode se agravar rapidamente. O morticínio em Gaza persiste, embora tenha arrefecido um pouco. Líbano e Irã continuam com ameaça de intervenções, por parte do governo de Netanyahu e dos EUA. 

O Irã, em particular, que atravessa uma conjuntura econômica de inflação (principalmente de alimentos), ocasionada, em grande parte, pelas pressões econômicas das inúmeras sanções a que está submetido, e por período de seca prolongada, acabou de ser ameaçado diretamente de intervenção militar por Trump. 

O Irã, recorde-se, por ter pouca terra arável e água, importa muitos alimentos. Só as importações de cereais respondem por quase 30% do total das importações iranianas. No entanto, se o Irã não estivesse submetido a tantas sanções, poderia lidar com essa restrição com facilidade, dado ao fato de ter reservas abundantes de petróleo e gás.

A Síria, por sua vez, continua conflituosa, dividida........

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