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Promessas de Ano Novo: cuidado com as expectativas utópicas

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28.12.2025

“Se a expectativa utópica não fosse tão grande, viver os fatos reais do dia-a-dia seria sempre uma aventura cheia de prazer”, disse-me certa vez meu amigo Diaulas Riedel, dono da Editora Pensamento-Cultrix.

Todo fim de ano carrega um ritual quase automático: a contagem regressiva, os abraços, os fogos - e a crença silenciosa de que, a partir da meia-noite, a vida fará um reset. Como se o calendário tivesse poderes terapêuticos, como se o Reveillon fosse sinônimo de varinha de condão. Seria, sem dúvida, uma coisa maravilhosa se o simples virar do ano fosse capaz de corrigir escolhas, curar fraturas, reorganizar afetos e devolver sentido ao que se perdeu pelo caminho. É nesse ponto que o Ano Novo deixa de ser celebração e passa a se tornar armadilha.

A cultura das promessas - “agora vai”, “este será o meu ano”, “tudo será diferente” - cria uma expectativa utópica que não dialoga com a realidade concreta da existência. O tempo muda, mas nós permanecemos os mesmos sujeitos, com as mesmas contradições, medos, limites e histórias inacabadas. Projetar no futuro uma redenção automática é terceirizar a responsabilidade pelo próprio processo de mudança.

Essa lógica não é inocente. Ela ecoa uma mentalidade........

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