O professor Lejeune Mirhan venceu e o mundo multipolar já é uma realidade
O professor, amigo e colega Lejeune Mirhan faleceu ontem, em Campinas, vítima de uma parada cardiorrespiratória, aos 69 anos. Sua partida provocou comoção no campo progressista e entre todos aqueles que, ao longo de décadas, acompanharam sua trajetória intelectual, política e humana. Professor, pesquisador, militante e formador de consciências, Lejeune deixa uma legião de admiradores e, mais do que isso, deixa uma obra viva.
A mensagem distribuída por sua família talvez seja a melhor forma de compreender sua permanência entre nós: “Se quiser me encontrar, pare um pouco e em silêncio pense em mim. Se você quiser me encontrar, olhe bem dentro de você, sinta seu coração bater forte, sinta-se feliz e não procure mais por mim. Eu estou aí…”.
Lejeune partiu deste mundo, mas não partiu da história.
E há uma razão profunda para isso.
O mundo pelo qual ele lutou, estudou, ensinou e militou já se impôs. A multipolaridade, que durante muitos anos foi tratada pelos centros de poder ocidentais como uma hipótese distante, uma ameaça ou até uma fantasia, hoje é uma realidade concreta.
Lejeune venceu porque a tese central que orientou sua vida pública venceu.
O planeta já não aceita ser comandado por uma única potência, por um único sistema financeiro, por uma única narrativa geopolítica ou por um único centro de poder.
A história voltou a se mover.
A Rússia resistiu ao cerco econômico, às sanções, à guerra promovida pela OTAN na Ucrânia e às tentativas de isolamento.
A China atravessou a guerra comercial e tecnológica sem ser submetida, ampliando sua capacidade industrial, científica e comercial.
O Brasil resistiu ao tarifaço e mostrou que sua economia não depende de uma relação de subordinação com os Estados Unidos.
O Irã, mesmo sob pressão........
