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A engrenagem da servidão: quem ganha com a dívida pública no Brasil?

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27.05.2026

No acumulado de 12 meses, até março de 2026, o setor público consolidado brasileiro gastou R$ 1,080 trilhão (equivalente a aproximadamente 8,35% do PIB) apenas com o pagamento de juros nominais da dívida pública. Pela primeira vez na história econômica do país, o gasto anualizado com juros nominais ultrapassou a barreira simbólica de R$ 1 trilhão. Esses gastos foram apenas com os juros da dívida, ou seja, não são a totalidade do chamado serviço da dívida, que inclui amortizações. Em 2025, o serviço da dívida pública consumiu cerca de 42,24% do orçamento federal, o equivalente a aproximadamente R$ 2 trilhões. Esse valor supera, por larga margem, a soma de todos os investimentos em saúde, educação, segurança e ciência e tecnologia.

O Brasil vive sob um paradoxo asfixiante. Dono de uma das maiores riquezas naturais do planeta, de um mercado interno robusto e de um potencial industrial histórico, o país caminha permanentemente no limite da restrição orçamentária. Quando o debate público se volta para a saúde, a educação ou o investimento em infraestrutura, a resposta do circuito financeiro e de seus porta-vozes na grande mídia é invariavelmente a mesma: "não há espaço fiscal". No entanto, há um ralo bilionário por onde escoam, de forma silenciosa e legalizada, recursos que poderiam reindustrializar e transformar o país. Esse mecanismo é o que se pode definir como o "Sistema da Dívida".

A dívida pública, em sua concepção clássica na teoria econômica, deveria funcionar como um motor de desenvolvimento: o Estado capta recursos hoje para investir em infraestrutura, ciência e bem-estar, colhendo os frutos da expansão econômica no futuro. No Brasil contemporâneo, contudo, esse instrumento foi sequestrado. A dívida deixou de........

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