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O império sem disfarce

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08.01.2026

Donald Trump fala como um imperador, age como um senhor da guerra e se apresenta como se fosse dono do mundo. À primeira vista, parece delírio. Mas, quando observado à luz da geopolítica contemporânea, seu comportamento revela a forma política assumida por um império em declínio que já não consegue liderar pelo consenso e passa a governar pela coerção aberta.

O imperador que diz em voz alta o que o império sempre fez - Donald Trump não governa — e nunca governou — como um presidente liberal do pós-guerra. Ele atua como um soberano tardio, personalista, agressivo e hierárquico. Seu discurso não busca persuadir, mas intimidar. Não constrói consensos; exige submissão. Essa postura, frequentemente tratada como desvio psicológico ou delírio individual, é, na realidade, funcional a um sistema imperial que já não consegue sustentar sua hegemonia por meios simbólicos.

Durante décadas, os Estados Unidos exerceram poder global por meio de instituições multilaterais, tratados, organismos internacionais e uma retórica civilizatória que apresentava a força como exceção. Golpes, guerras, bloqueios e sanções sempre existiram, mas eram narrados como desvios necessários em nome da liberdade. Trump rompe com essa encenação. Ele diz em voz alta aquilo que antes era dito em linguagem técnica, jurídica ou diplomática.

Ao ameaçar aliados, humilhar chefes de Estado, sugerir anexações territoriais ou tratar países como ativos negociáveis, Trump não delira. Ele atualiza a linguagem do império para um mundo em que a hegemonia norte-americana já não é aceita espontaneamente. O imperador não é um erro do sistema. É uma exigência histórica quando o consenso entra em colapso.

Da aliança à vassalagem: a coerção intra-ocidental - O trumpismo inaugura uma ruptura inédita no interior do próprio campo ocidental. Canadá, Dinamarca e União Europeia deixam de ser tratados como parceiros........

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