Cinema, memória e ditadura: filmes brasileiros reacendem o debate sobre a ditadura militar
“A ditadura é uma ferida aberta no Brasil”, afirmou o ator Wagner Moura em discurso no Globo de Ouro.
A produção brasileira O Agente Secreto venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa na noite deste domingo (11), enquanto Wagner Moura foi consagrado com a estatueta de Melhor Ator em Filme de Drama por sua atuação no longa.
A conquista reafirma a força recente do cinema nacional no cenário internacional e se soma a outros marcos importantes, como a consagração de Ainda Estou Aqui e a vitória de Fernanda Torres no próprio Globo de Ouro.
Nesse sentido, a força de filmes como O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui não reside apenas no reconhecimento internacional que conquistam, mas na forma como reescrevem a memória da ditadura na cena pública. Ao levar essas histórias à mise-en-scène, o cinema brasileiro expõe fraturas e confronta o espectador com aquilo que o país tentou, reiteradas vezes, empurrar para fora do campo visível.
Quando Wagner Moura afirma que a ditadura segue como uma ferida aberta no Brasil, ele não fala apenas de um passado mal resolvido, mas de um presente atravessado por seus escombros.
O cinema, nesse contexto, opera como um mecanismo que torna audível aquilo que foi silenciado, evidenciando experiências excluídas das narrativas oficiais e disputando o sentido da história contra projetos que normalizam a violência. Ou seja, a cultura atua como instrumento político ao romper o silêncio institucional e mobilizar a memória coletiva no espaço público.
Ao recolocar essas memórias em circulação, essas obras ampliam a discussão para além do campo cultural. Elas tensionam o pacto do esquecimento, questionam a permanência da impunidade e contribuem para a construção de uma consciência histórica que recusa a repetição.
Em um país onde golpes se reciclam e a violência política insiste em se reapresentar sob novas formas, o cinema não apenas narra o........
