Estratégias Graduais de Transição diante do Rentismo Global
Explorar estratégias graduais de transição dentro do modelo de Hierarquia Rentista Global (HRG) exige aceitar um ponto de partida realista: não há, no curto prazo, coalizão política capaz de uma ruptura frontal com o rentismo periférico. Logo, as estratégias factíveis são incrementais, defensivas e cumulativas, operando por deslocamentos marginais de função, não por confrontação direta.
Então, o objetivo brasileiro não seria “sair” do Nível III de imediato, mas reduzir sua rigidez, criando graus de liberdade para transições futuras. A seguir, apresento um menu estratégico coerente, organizado por quatro frentes complementares, cada uma desenhada para minimizar vetos políticos e reações sistêmicas.
A primeira das estratégias graduais de transição do Brasil na HRG seria a refuncionalização da dívida pública sem confrontar o rentismo. A dívida pública é hoje eixo do rentismo, instrumento de política monetária e principal ativo financeiro doméstico. Ela não pode ser eliminada, mas pode mudar de função.
Entre as estratégias factíveis, destacam-se, primeiro, o alongamento sistemático do perfil ao reduzir peso de títulos indexados à Selic e ampliar prefixados longos e indexados ao crescimento. Depois, seria prudente a criação de títulos produtivos vinculados à infraestrutura, à transição energética e à logística. Finalmente, faria uma segmentação da base de investidores ao emitir certos títulos exclusivos para fundos de pensão e seguradoras, ou seja, investidores institucionais.
É vantagem política não mexer no estoque da dívida, não........
