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Pronto. Temos, enfim, um herói. Uma versão asséptica, bem arrumada, que satisfaz a todos: ao Alto Comando, que conseguiu, arredondar o discurso, estancando as investigações para o alto, para baixo, e para os lados. O importante é jogar as fardas na lavanderia, “limpar” a instituição, resolver. Perfeito para os que anseiam por “virar a página”. Bom demais para os que choramingam pelos cantos de arrependimento, mas não confessam, porque aprenderam a morrer pela pátria, mas não a ter coragem de confessar os seus crimes. Estão aí os 60 anos do golpe de 1964 que não nos deixam mentir.

As “oito horas” de depoimento do general Marcos Freire Gomes tira da cena policial os maus militares, os que entoaram as fileiras, ameaçaram a democracia e embarcaram na volúpia de poder do mau militar - que nem mais ele era.

Para dar um toque de emoção, colocaram até a mãe no meio. Tudo para formatarem o "salvador da pátria", passar a ideia de que, finalmente, os militares estarão fora da política, cumprindo apenas o dever de ofício: qual seja? Defender a pátria.

E quem nos defende das versões edulcoradas, da indignação que faz o estômago dar cambalhotas, ante a perspectiva visível de construírem o distanciamento até 2026, quando o general Marco Freire Gomes, com o seu uniforme de gala, surgirá na ribalta com os galardões reluzentes para, tal como o general Lott, virar o candidato moralizador e viável?

Para quem esquece fácil, a versão arrumadinha, desavergonhadamente arrumadinha, pode funcionar. Mas não para os que já viram esse filme. Estavam desde a semana passada, quando o general ainda nem sequer havia feito o seu depoimento, tentando “vender” esse discurso. Na mesma ordem publicada hoje pelo Estadão. Sim, o Estadão. O jornal dos empresários, dos conservadores, dos bolsonaristas ocultos, envergonhados.

Com o depoimento sob sigilo e a conivência dos que têm pressa em “arrumar a casa”, agora, sim, a versão cola, torna-se mais palatável e crível. O discurso elaborado na pipeta do alto comando cai bem, ganha verossimilhança.

Ainda veremos em 2026, as crianças, tal como um dia nos idos dos anos de 1960, na inocência da infância, disputar alfinetes sob a forma de “espadinha”, para espetar no peito, como na campanha do general Lott. Estão desenhando um novo Bolsonaro, mais manso e aprumado. Agora vai. Se vai...

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Pronto. O país tem um herói

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05.03.2024

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Pronto. Temos, enfim, um herói. Uma versão asséptica, bem arrumada, que satisfaz a todos: ao Alto Comando, que conseguiu, arredondar o discurso, estancando as investigações para o alto, para baixo, e para os lados. O importante é jogar as fardas na lavanderia, “limpar” a instituição, resolver. Perfeito para os que anseiam por “virar a página”. Bom demais para os que choramingam pelos cantos de arrependimento, mas não confessam, porque aprenderam a morrer pela pátria, mas não a ter coragem de confessar os seus crimes. Estão aí os 60 anos do golpe de 1964 que não nos deixam........

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