Lula e Mercadante recolocam o BNDES no centro da estratégia de desenvolvimento do Brasil
Poucas instituições refletem tão claramente as mudanças de rumo da política econômica brasileira quanto o BNDES. Entre 2016 e 2022, durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o banco passou por um processo de redução de escala e de capacidade operacional. O principal instrumento dessa política foi a devolução antecipada de recursos ao Tesouro Nacional. Nesse período, foram transferidos cerca de R$ 693 bilhões à União, entre principal, juros e amortizações extraordinárias. Somente em 2019, o valor devolvido chegou a R$ 100 bilhões.
A estratégia foi apresentada como parte do esforço de ajuste fiscal e redução da dívida pública. Na prática, porém, diminuiu a capacidade de financiamento de longo prazo da principal instituição de desenvolvimento do país. Paralelamente, consolidou-se a narrativa da suposta "caixa-preta" do BNDES. Após anos de auditorias, investigações, CPIs e apurações conduzidas por órgãos de controle, não foi comprovada a existência do alegado esquema sistêmico de irregularidades que justificava a ofensiva política contra o banco.
A partir de 2023, com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e a nomeação de Aloizio Mercadante para a presidência do BNDES, a orientação foi revertida. O banco voltou a priorizar o financiamento ao investimento produtivo, à indústria, à infraestrutura, à inovação e à transição ecológica.
A retomada do crédito
Os resultados dessa mudança aparecem de forma clara nos indicadores operacionais. Entre 2023 e 2025, as consultas por financiamentos cresceram 221%, as aprovações avançaram 164% e os........
