O trabalho como princípio educativo. Mas, que trabalho?
Em meio à chamada Revolução Industrial 4.0, marcada pela digitalização, automação, inteligência artificial e pela plataformização da vida, a pergunta sobre o trabalho como princípio educativo torna-se ainda mais incômoda e necessária. Afinal, de que trabalho estamos falando? E, sobretudo, a serviço de qual projeto de sociedade a educação brasileira vem sendo organizada? Qual o lugar reservado às gerações futuras no mundo do trabalho?
A divisão social do trabalho nunca foi apenas um arranjo técnico ou econômico. Trata-se de um dispositivo histórico, político e cultural que define quem pensa e quem executa, quem planeja e quem obedece, quem acumula e quem sobrevive. Desde a consolidação do capitalismo industrial, a educação passou a ocupar um lugar estratégico nesse processo. À escola foi dada a tarefa de formar sujeitos adequados às necessidades do sistema produtivo. O problema é que, no capitalismo contemporâneo, essas necessidades vêm se reorganizando de forma cada vez mais excludente, instável e desumanizadora.
A precarização do trabalho vivo, intensificada pela informalidade estrutural, pelo “empreendedorismo de sobrevivência” e pelo trabalho mediado por plataformas digitais, tem produzido, entre amplos setores da juventude, uma falsa percepção, marcada pela falsa ideia de que a formação escolar e acadêmica já não são necessárias. Se o horizonte de futuro se resume a bicos, algoritmos e contratos intermitentes, para que estudar? Para que investir anos de vida em um sistema educacional que já não promete sequer o direito ao trabalho digno?
Essa percepção não nasce do acaso. Ela é resultado direto da penetração tóxica da ideologia........
