Benfica: nem o presente acaba, nem o futuro começa
O final da época chegou. Mas no Benfica ninguém sente verdadeiramente que a época tenha acabado. E talvez esse seja hoje o maior problema do clube.
Há demasiado tempo que o Benfica vive preso num estado permanente de transição. Nunca fecha completamente um ciclo, nunca inicia verdadeiramente outro. Fica ali, suspenso entre a crise seguinte e a promessa da próxima solução milagrosa. E um clube desta dimensão não pode viver emocionalmente assim durante anos sem começar a pagar um preço pesado por isso.
Bruno Lage iniciou a temporada praticamente sem margem para errar. Roger Schmidt já tinha vivido exatamente o mesmo. Dois treinadores diferentes, dois contextos diferentes, mas a mesma realidade: ambos começaram a época sem verdadeira ligação à bancada. E quando isso acontece no Benfica, o tempo transforma-se rapidamente num inimigo.
Porque no Benfica pode faltar muita coisa durante algum tempo. O que nunca pode faltar durante demasiado tempo é empatia.
Nem Schmidt nem Lage conseguiam comunicar com os adeptos. E isto no futebol moderno não é detalhe nenhum. Quando os resultados aparecem, quase tudo se tolera. Quando os resultados desaparecem, cada conferência de imprensa transforma-se numa autópsia pública da liderança do treinador.
O desgaste começou muito antes das derrotas. As derrotas apenas tornaram impossível esconder aquilo que já era evidente.
Depois houve o mercado. E também aí o Benfica falhou.
Gastou muito dinheiro para construir pouco rendimento desportivo. Quem chegou raramente conseguiu fazer........
