Quando o silêncio deixa de ser neutro
Em muitas circunstâncias há silêncios que são prudentes. Durante toda a minha vida eleitoral, achei que o meu era um desses silêncios. Como representante da Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose, que se senta à mesa com partidos políticos de diferentes cores, escolhi nunca tornar público o meu sentido de voto. Sempre senti que essa reserva protegia a causa maior: as mulheres que vivem com uma doença invisível, dolorosa e ainda tantas vezes desvalorizada.
Mas o tempo ensina-nos que nem todo o silêncio é neutro. Há momentos em que ele começa a pesar. E há momentos — como este — em que se transforma em cumplicidade involuntária.
Depois de 13 anos de luta por direitos, por dignidade e por acesso à saúde, agora não posso ficar calada. Porque quando a democracia vacila, a........
