Até onde pode ir o “momento Maricarmen”? Editorial de Rui Tavares Guedes
Os grandes movimentos de mudança, verdadeiramente transformadores, têm sempre o mesmo impulso: a necessidade de atuar, de forma firme e decisiva, perante um problema que, de repente, ganhou uma dimensão que pode pôr em risco um projeto, uma sociedade ou até mesmo o desenvolvimento de um país. Esse acontecimento inesperado, mesmo que pudesse ser previsível por mentes mais avisadas, ganha o estatuto de decisivo quando consegue marcar um antes e um depois da sua ocorrência. E, com isso, transformar-se tanto na explosão que põe um veículo em marcha como na gota que faz transbordar o copo onde se tinham concentrado a raiva e o suor de muita indignação. É desses momentos que nascem projetos unificadores de países, mas também as revoltas e as revoluções.
Desde 1957, em plena Guerra Fria, que ficámos a conhecer o significado do chamado “momento Sputnik” – o dia em que os EUA perceberam que, afinal, não lideravam a corrida espacial, quando começaram a ouvir os bip-bip do satélite lançado pelos soviéticos. O resultado foi o que conhecemos: perante a ameaça, o país uniu-se, reuniu os melhores cérebros, ainda mais milhões de dólares, criou........
