Somos ratos de laboratório? Opinião da advogada Rita Garcia Pereira
“Viver é o que há de mais raro. A maioria apenas existe.”Oscar Wilde
Vivemos permanentemente conectados mas nunca estivemos tão desligados da vida e das grandes causas. A nossa capacidade de ação, de luta pelo que acreditamos, designadamente por um mundo melhor nas suas múltiplas vertentes, reconduz-se, muitas vezes, ao designado “ativismo de sofá”, através do qual julgamos que uns meros cliques podem fazer a diferença. Raramente o fazem, mas continuamos na crença de que o mundo virtual se equipara ao real e que o que nos é dado a ver é o estado do mundo, mesmo quando este último é muito mais amplo, complexo e, simultaneamente, bonito.
Estamos, na verdade, cansados, vergados sob o peso de múltiplas micro-tarefas, confinados no trabalho e incapazes de termos tempo para a verdadeira reflexão. Nada disto surge por acaso, da mesma forma que a dependência da dita “Inteligência Artificial” nos está a tornar cada vez mais preguiçosos e pouco lestos nas decisões que temos que tomar.
O que foi trazido sob a promessa de nos aproximar e de nos facilitar a vida tornou-se num verdadeiro obstáculo para a vida e para as relações pessoais,........
