Tomar a nuvem por Juno. Opinião do advogado Ricardo Sardo
No Tribunal de São João Novo, no Porto, há processos parados por falta de juízes, após três terem sido transferidos para Gaia. Em muitas comarcas faltam juízes e procuradores, o que atrasa a tramitação dos processos e provoca demora nas decisões. Faltam salas, faltam meios, diligências são adiadas quando as pessoas já se encontram prontas em tribunal.
O sistema informático (Citius), constantemente em atualizações que, muitas vezes, não produzem quaisquer melhorias na simplificação e na agilização dos processos, fica lento com demasiada frequência, com problemas no acesso e na submissão de peças processuais, prejudicando – e atrasando – o trabalho de todos. Não sou só eu que o escrevo. Aqui na VISÃO (a 27 de fevereiro), Maximiano do Vale, da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, já o expressou: “Quando um sistema informático falha num tribunal, tudo se lentifica. Desde o processo da vítima de violência doméstica ao processo da regulação das responsabilidades parentais, passando pelos processos de arguidos presos. A morosidade tecnológica e a falta de ferramentas informáticas adequadas apenas têm vindo a proporcionar um aumento manifesto da perceção de uma justiça lenta, para desespero de quem trabalha no sistema.”
Por seu turno, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público tem denunciado a gritante falta de magistrados, funcionários e meios tecnológicos em todo o País. Em Lisboa, por exemplo, refere o sindicato que a “comarca está a funcionar em situação crítica, com falta de meios, sobrecarga processual e condições de trabalho degradadas”.
Problemas há muito diagnosticados e denunciados, pelos vários operadores judiciários. Contudo, o poder político, seja de que “cor política” for, há muito que ignora estes problemas e falha em os encarar de forma séria e determinada. Não é de estranhar, pois, que os juízes........
