Uma campanha triste. Opinião de Pedro Marques Lopes
As presidenciais trarão uma boa e uma má notícia: a boa é que dos cinco possíveis vencedores quatro perderão; a má é que um vencerá.
António José Seguro
O candidato que Pedro Nuno Santos foi ressuscitar do cemitério político está igual ao que sempre foi: um vazio total de ideias, um amor desenfreado pelo lugar-comum, um indivíduo que consegue dizer as horas como se estivesse a revelar o terceiro segredo de Fátima.
É o verdadeiro candidato de Luís Montenegro. Com Seguro em Belém, o primeiro-ministro teria assegurada toda e qualquer aprovação de dossiers polémicos, todas as alterações que muito bem decida promover. Nesses momentos surgiria o Presidente Seguro, com um ar muito sério, a dizer que o importante era o País e que lhe custava muito e tal, mas era inevitável. Qualquer semelhança com o que fez quando assinou com empenho as políticas que iam para lá da Troika não será coincidência.
No caso de as coisas, por alguma razão, correrem mal para o Governo, estará uma pessoa em Belém que o primeiro-ministro se encarregará de lembrar que até é do PS. Aí ninguém se recordará dos favores de Seguro.
Depois, e sobretudo, Seguro é a garantia de que a direita permanecerá por mesmo muito tempo no poder.
A esquerda e o centro-esquerda estão completamente perdidos e precisam de se reorganizar. É necessário redefinir caminhos e encontrar protagonistas.
Seguro é a imagem da indefinição e se existe alguma réstia de pensamento de esquerda nele, é o daquela envergonhada, a que há meia dúzia de anos era considerada direita moderada. Os consensos que ele diz querer são os consensos definidos pela direita que nunca esteve tanto à direita (não confundir com extrema-direita).
Imagine-se a esquerda a ter de se reorganizar tendo como principal figura António José Seguro. Mil blocos de esquerda e similares surgiriam, o PS partir-se-ia definitivamente e a direita, repito, perpetuar-se-ia no poder. Não é em vão que os principais apoiantes de Passos Coelho estão desde a primeira hora ativamente e em força........
