Opinião | Pensar vai tornar-se um privilégio?
Chamou-me a atenção um estudo publicado na revista científica iScience que analisou os hábitos de leitura de mais de 236 mil pessoas ao longo de vinte anos. Em 2004, 28% liam por prazer num dia normal. Em 2023, eram apenas 16% (1).
Mais importante do que a diminuição da leitura é perceber quem continua a ler.
O estudo encontrou diferenças segundo o rendimento e o nível de educação. Os números já não contam apenas a história, conhecida, de uma sociedade que lê menos. O que inquieta é perceber que não estamos todos a afastar-nos da leitura da mesma forma. Durante muito tempo pensou-se a desigualdade educativa a partir do acesso. Quem podia estudar. Quem chegava ao ensino superior. Quem tinha livros em casa. Era essa a fronteira.
Portugal percorreu, em poucas décadas, um caminho extraordinário no alargamento da escolarização e do acesso ao ensino superior. Entretanto, a revolução digital colocou praticamente toda a informação produzida pela humanidade à distância de um telemóvel. E, com isso, a fronteira mudou.
Ter o mundo ao alcance já não significa........
