menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Teerão entre impérios. Opinião de Miguel Baumgartner

5 0
yesterday

Se Washington conseguisse deslocar o Irão, mesmo sem mudança de regime, para uma posição menos hostil e mais pragmática, isso teria um efeito sistémico na estratégia americana de contenção da China. O Irão não é apenas um dossier nuclear ou regional. É uma peça intermédia num tabuleiro maior que liga o Médio Oriente, a Eurásia e a guerra na Ucrânia. 

Um Irão menos alinhado com o eixo Moscovo-Pequim enfraqueceria a Rússia, isolaria ainda mais a China e alteraria o equilíbrio estratégico global sem disparar um único míssil adicional. A estabilidade do regime iraniano é hoje um ativo estratégico para a Rússia. Perdê-lo seria abrir uma frente invisível na guerra da Ucrânia.

A Pérsia ensinou o mundo a governar antes de o mundo saber o que era poder. O que hoje se passa em Teerão, Mashhad, Isfahan, Shiraz ou Kermanshah não é turbulência episódica. É a erosão prolongada de um Estado que perdeu legitimidade histórica junto da sua própria sociedade.

Desde 1979, o regime construiu-se contra o Ocidente e contra o seu passado recente. O regime do........

© Visão