Que América temos após 250 anos? Opinião de Miguel Baumgartner
Em Era Uma Vez na América, Sergio Leone filmou mais do que a história de gangsters judeus em Nova Iorque. Filmou uma promessa. A promessa de que a América era o lugar onde todos os passados podiam ser abandonados, onde os filhos dos pobres, dos perseguidos e dos esquecidos podiam reinventar-se. A América era, ao mesmo tempo, refúgio, mito e destino. Um país construído por quem fugia de alguma coisa e por quem acreditava que, do outro lado do Atlântico, a vida podia começar outra vez.
Duzentos e cinquenta anos depois da sua fundação, a pergunta já não é apenas: O que foi a América? A pergunta é: Que América temos hoje?
A América nasceu de uma revolta contra o Império Britânico, contra a tributação sem representação, contra a ideia de que o poder podia existir sem consentimento. Os pais fundadores imaginaram uma república imperfeita, muitas vezes contraditória, marcada desde o início pelo pecado original da escravatura, mas fundada sobre uma ambição revolucionária: limitar o poder, proteger a liberdade, transformar cidadãos em soberanos.
Durante dois séculos e meio, essa América foi muitas Américas. Foi a América da Constituição e da segregação. A América de Lincoln e de Jim........
