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Fragmentação global: ameaças em escalada e uma ordem em colapso

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20.03.2026

Durante décadas, a ideia de uma guerra global pertenceu ao passado ou à ficção estratégica. Era evocada em relatórios académicos, exercícios militares e análises de risco, mas raramente assumida como hipótese concreta no plano político. Essa distância desapareceu — e o que hoje se observa não é a antecâmara de um confronto — é a sua manifestação, ainda sem reconhecimento formal. A guerra começou antes de ser declarada, dissolvendo a fronteira tradicional entre paz e antagonismo e impondo uma nova condição: a de um sistema internacional em tensão permanente.

A escalada recente no Médio Oriente tornou essa transformação impossível de ignorar. A relação entre Estados Unidos, Israel e Irão ultrapassou o registo da dissuasão para entrar num ciclo ativo de ação e retaliação, marcado por operações coordenadas, ataques seletivos a alvos estratégicos e ameaças concretas a infraestruturas críticas. Estes movimentos não são episódicos nem reativos — integram uma lógica contínua de enfrentamento que já não depende de rituais diplomáticos para se legitimar. A dinâmica bélica deixou de precisar de ser anunciada para existir.

O impacto dessa evolução rapidamente extravasou o plano militar. A instabilidade no Estreito de Ormuz reintroduziu o petróleo como instrumento direto de poder geopolítico, num regresso a lógicas que muitos julgavam ultrapassadas. Bastou o risco de bloqueio para provocar oscilações significativas nos mercados, pressionar economias e forçar reposicionamentos estratégicos à escala global. A energia deixou de ser apenas um recurso — tornou-se um vetor de influência e uma alavanca de coerção com efeitos imediatos.

Mais reveladora ainda é a simultaneidade das tensões. A guerra na Ucrânia........

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