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Quem vota? A influência da IA e do algoritmo

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As campanhas presidenciais em curso, com eleições marcadas para 18 de janeiro, estão a revelar algo que vai muito além da disputa entre candidatos. Revelam uma transformação silenciosa — e inquietante — da política democrática: a substituição progressiva do debate político por métricas, gráficos e reações instantâneas. Nunca se mediu tanto a opinião pública. Nunca se falou tão pouco do que realmente importa.

Hoje, a campanha presidencial é conduzida por sondagens permanentes, tracking polls quase diárias e leituras algorítmicas do comportamento eleitoral. Estes instrumentos, que deveriam servir para compreender a sociedade, passaram a ditar a estratégia política. Não se trata apenas de saber o que os eleitores pensam; trata-se de decidir o que pode ou não ser dito, quando deve ser dito e — sobretudo — o que deve ser evitado.

É a agenda do algoritmo a marcar a agenda política e, sobretudo a influenciar a agenda da opinião pública o que se traduz numa clara influência do sentido de voto de cada um.

É neste cenário que a campanha de António José Seguro se tornou, para mim, politicamente relevante. Não porque ignore os dados — ninguém o faz hoje — mas porque parece recusar submeter totalmente........

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