Opinião | Venezuela: O 51ª estado dos EUA
A voracidade dos tempos que vivemos, com a redução do espaço e do tempo, leva a que os acontecimentos internacionais se sucedam a tal velocidade que o direito parece sempre chegar atrasado.
O que se passou na Venezuela — e sobretudo a forma como se passou — é um desses momentos.
Independentemente das simpatias ou antipatias que Nicolás Maduro desperte, o episódio levanta não uma, mas várias questões que vão muito além da política interna venezuelana e a sua relação com os Estados Unidos.
A operação conduzida pelos Estados Unidos, que resultou na detenção do chefe de Estado venezuelano, fora de qualquer quadro multilateral previamente conhecido, sem qualquer mandado ratificado por instâncias internacionais, tornou-se no símbolo de algo maior: a consolidação de uma nova ordem mundial menos regulada por normas e mais condicionada pela correlação de forças.
O primado do Direito Internacional e da soberania dos Estados parece ferido de morte e substituído pela lei do mais forte, atropelando a diplomacia e fazendo valer os reais motivos das últimas intervenções: a anexação de territórios cujas matérias primas são por demais apetecíveis. Foi assim com a invasão da Ucrânia pela Rússia, é assim na invasão da Venezuela.
Aliás, muitos veem nesta última a legitimação da primeira, bem como de toda e qualquer intervenção das grandes potências em áreas por........
