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O Outside In

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Quando o Stranger Things estreou, há 10 anos, começou como começam quase todas as boas histórias: por nos devolver aos anos 80. Estou a mentir. Começou com uma criança a desaparecer. E eu fui apanhado pela alquimia dos Duffer Brothers que misturavam The Explorers e Siouxsie and the Banshees, Carrie e Modern English ou Stand By Me e Psychedelich Furs. Poderia passar a tarde a enumerar referências. E seria uma grande tarde. Para quem cresceu naquela década, aquilo foi um pequeno milagre. Nostalgia em estado sólido. Como se fosse possível reviver os anos 80 sem os repetir.

Mas o que era uma aventura de amigos assombrada pelo inexplicável tornou-se outra coisa. A impressão que dá é que, às tantas, o critério mudou. O processo de escrita deixou de confiar na história e passou a responder outro tipo de exigências.

Por volta da terceira temporada, a narrativa deixou de confiar em si mesma. As personagens passaram a justificar-se. Deixaram de servir a história para servir a razão de estarem no mundo. Foi aí que se abriu outra fenda. O mundo de fora entrou na série. Num conto sobre dimensões paralelas, isto é fatal. Chama-se Outside In: ao Upside Down e ao Right Side Up juntámo-nos nós.

Ora, aquilo que trazemos connosco raramente melhora uma história.

Quando uma personagem deixa de existir para sofrer, escolher e errar, e passa a existir para........

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