A escola não pode continuar a ser uma sala de espera
Aos 16 anos, um jovem pode querer trabalhar, aprender uma profissão, ganhar o seu primeiro salário e começar a descobrir o mundo com as próprias mãos. Pode não sonhar com a universidade, mas isso não significa que tenha deixado de sonhar com o futuro. O problema começa quando a escola lhe responde que ainda não chegou a hora de escolher. Portugal fez bem em combater o abandono escolar; o desafio agora é outro, talvez mais difícil: conseguir que a escolaridade obrigatória não seja apenas uma obrigação de permanecer, mas uma oportunidade real de encontrar um caminho. Obrigar um jovem a ficar na escola é relativamente simples. Mais exigente é construir uma escola onde ele queira ficar ou, pelo menos, onde possa aprender de uma forma que faça sentido para a vida que deseja construir.
Há uma pergunta que raramente fazemos quando falamos dos jovens: o que acontece a um rapaz de 16 anos que não quer ir para a universidade, não se revê na escola que lhe oferecemos e gostaria de começar a aprender uma profissão? A resposta portuguesa parece simples: fica. Fica, porque a escolaridade é obrigatória até aos 18 anos. Fica, porque temos medo de tudo o que possa lembrar o abandono escolar. Fica, porque, durante décadas, confundimos permanecer na escola com estar necessariamente a aprender. E, no entanto, entre uma carteira, um manual e um futuro que não consegue imaginar, pode existir um jovem que não quer deixar de aprender; quer apenas aprender de outra maneira.
É importante dizê-lo sem ambiguidades: a escolaridade obrigatória foi uma das grandes conquistas educativas e sociais de Portugal. Não devemos regressar ao tempo em que demasiados adolescentes abandonavam prematuramente a escola para entrar num mercado de trabalho pouco qualificado, com salários baixos e escassas possibilidades de progressão. Os dados mostram que Portugal fez progressos extraordinários: a taxa de abandono precoce da educação e formação caiu para níveis historicamente baixos e a participação dos jovens na educação aumentou de forma muito significativa. A escolaridade obrigatória até aos 18 anos não é, por isso, o problema. O problema começa quando uma conquista civilizacional se transforma, para alguns, numa experiência de permanência sem pertença.
Aos 16 anos, um jovem já pode ter um enorme desejo de autonomia. Pode querer levantar-se cedo, fazer alguma coisa com as próprias mãos, aprender a reparar uma máquina, cozinhar, instalar uma rede elétrica, trabalhar numa oficina, cuidar de alguém, programar, construir, criar. Pode descobrir no contacto com a matéria uma inteligência que não encontra nas fichas, nos testes e nas sucessivas classificações. A escola deveria ser suficientemente grande para reconhecer estas formas........
