González, Passos e Mário Soares
Existem antigos líderes políticos que envelhecem sem perder a capacidade de reconhecer os combates essenciais do seu tempo. Outros parecem ficar prisioneiros das batalhas que perderam, incapazes de perceber que o mundo mudou. As entrevistas de Felipe González e as recentes aparições de Pedro Passos Coelho dizem-nos coisas diferentes, mas convergem num problema político comum. Mário Soares é o contraponto inevitável.
González tem razão quando insiste na importância da leitura e nos desafios da Inteligência Artificial. Já a sua leitura política de Espanha parece cada vez mais refém de um anti-sanchismo que pouco esclarece sobre o país e muito revela sobre a evolução do próprio.
Os casos que atingem o PSOE são graves e merecem escrutínio. Mas não se pode confundir a responsabilidade política de Sánchez com um envolvimento direto em factos que, até agora, não o demonstraram. Nem reduzir a política espanhola a uma sucessão de escândalos, ignorando o contexto em que o PSOE procura responder a problemas concretos, numa Europa em que os partidos socialistas e social-democratas perdem terreno, se fragmentam ou desaparecem.
A habitação é um exemplo. Exigir ao governo espanhol que resolva um problema estrutural e, ao mesmo tempo, desvalorizar os bloqueios da direita às medidas propostas para o enfrentar é pouco sério. A oposição tem todo o direito de contestar as soluções do atual executivo que (ainda?) está no poder. O que não pode é transformar os obstáculos que........
