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Opinião | O drama do acesso tardio aos cuidados paliativos

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19.08.2026

Há uma diferença fundamental entre morrer de uma doença e morrer à espera de cuidados. A primeira condição pode ser inevitável, a segunda nunca deveria ser aceite como uma consequência normal do funcionamento do Serviço Nacional de Saúde.

Um estudo recentemente realizado por profissionais do Instituto Português de Oncologia de Lisboa lança uma luz inquietante sobre uma realidade que, apesar de conhecida por muitos profissionais, permanece praticamente invisível para a opinião pública, um número significativo de doentes oncológicos referenciados para unidades especializadas de cuidados paliativos acaba por falecer antes de conseguir ser admitido.

Este dado obriga-nos a uma reflexão incómoda. Portugal orgulha-se, legitimamente, dos progressos alcançados na construção da Rede Nacional de Cuidados Paliativos. Nas últimas décadas foram criadas equipas, abriram-se unidades, desenvolveram-se competências clínicas e consolidou-se um enquadramento legal que reconhece os cuidados paliativos como um direito dos cidadãos. Contudo, um direito que chega demasiado tarde deixa de ser, na prática, um verdadeiro direito.

Continuamos a........

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