Prémio Laranja Amarga para a Reforma Tecnológica do Estado que está a “pifar”
A grande novidade da orgânica do governo Montenegro II foi a criação de um ministério da Reforma do Estado, para o qual foi mobilizado um académico de ideias arejadas com a imagem simpática de promotor de debates na Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Desde então, as altas expetativas criadas geraram a maior desilusão do primeiro ano deste Governo. Os pomposos anúncios de reformas orgânicas dos ministérios paralisam a administração pública durante meses, tresandam a versões requentadas do velho PRACE e são bacocas as declarações de que a nomeação de um CTO (Chief Technology Officer) do Estado iria fazer toda a diferença, substituindo a marca AMA, com provas dadas na criação do cartão do cidadão ou na implementação da rede de lojas do Cidadão, por uma nova ARTE mais tecnológica do que cultural.
Tem-se visto pouca inovação tecnológica perante a degradação da resposta dos serviços públicos, desde o colapso da rede SNS 24, que perdeu mais de 1,5 milhões de chamadas, à paralisia da “Empresa na Hora”. Copiando antecessores mais enfadonhos, confrontado com a desdita da realidade o ministro reformador tem sido muito prolixo a prometer o “milagre das leis futuras” em áreas tão diversas como as da contratação pública, o funcionamento dos tribunais administrativos ou o fim do Visto Prévio do Tribunal de Contas.
Prometeu em julho uma reforma de ministério por mês até ao verão de 2026, mas só na semana de Natal foi publicado o diploma sobre a nova AI2, com um modelo que privilegia o apoio às empresas sobre a investigação científica e que sofreu a contestação dos setores científicos e vai ao arrepio de todas as referências europeias.
Mas desde então Gonçalo Matias descobriu uma vocação de pop star do Governo, que se tornou viral com a histriónica intervenção na Web Summit e justificou........
